Automação residencial com comando de voz. Chegou a hora?

Sabemos que comando de voz para automação residencial existe há mais de 10 anos, principalmente no mercado “Do it Yourself” através de plug-ins para sistemas low-end baseados em programas de computador. Comando de voz fazia parte do segmento de “hobby” da indústria, necessário para entreter os nerds, que sempre souberam se divertir construindo brinquedos de automação residencial.

Julie Jacobson, em seu artigo “Is 2012 the Year of Voice Control?” (CEPro magazine, janeiro 2012) observou que no passado as pessoas se sentiam ridículas em “falar” com seus aparelhos. Hoje, porém, dispositivos que utilizam tecnologias para reconhecimento de voz estão em toda toda parte, como telefones, GPS’s, jogos, serviços de atendimento ao consumidor etc. A partir de 2012 a editora prevê que essa tendência ganhará ainda mais força graças ao impulso dado pela chegada do SIRI, a interface da Apple para reconhecimento de voz que está encantando os usuários do iPhone.

É claro que a tecnologia evoluiu. Mas porque está se tornando natural “falar” com aparelhos? Ou melhor, por que as pessoas estão perdendo o preconceito de conversar com seres inanimados? A resposta pode ser simples: Vivemos em um mundo novo, onde nerds ganharam respeito, brinquedos se tornaram coisa séria e a inteligência ganhou um pouco de bom-humor. Aliás, como dizia o profeta, “Stay foolish, stay hungry”.

Mas vamos ao que interessa. Vale a pena para um Integrador começar a investir em sistemas de automação residencial que utilizam comandos de voz? Os especialistas acham que sim. Reconhecimento de voz é considerada uma das “5 tendências que devemos acompanhar”, pela edição de 2012 da CEA (Consumer’s  Electronics Association). De acordo com Rachel Horn, Gerente de Publicações da CEA, em seu artigo “The Future of Alternative Input Methods”, os recentes  aperfeiçoamentos da tecnologia irão alavancar, em breve, a proliferação de sistemas controlados por voz.  Controle por voz também é citado como uma das “10 tendências tecnológicas emergentes” citadas na publicação “CEDIA Expo INSIDER”, baseada nas tendências captadas durante CEDIA Expo 2012.

A utilização de sistemas de automação controlados por voz é indiscutivelmente interessante às pessoas portadoras de necessidades especiais, nas quais a fala pode substituir algumas ações motoras. Mas o usuário comum realmente precisa de um sistema de automação controlado por voz? Precisamos colocar os pés no chão e admitir que nem todas as funcionalidades de automação residencial podem ser convenientemente contempladas por um sistema controlado por voz. Existem circunstâncias em que o melhor mesmo é utilizar o velho botão (físico ou virtual), como os casos dos VOL+/VOL-, CH+/CH-.

A melhor aplicação do comando de voz, provavelmente, é utilizá-lo para executar “cenas”, incluindo aquelas que combinam diversos aspectos de uma só vez, como controle de iluminação, A&V, climatização etc., também chamadas “real scenes”. Imagine o conforto de poder  dizer, já deitado na cama, “BOA NOITE CASA”, ao invés de ter que se levantar para pegar o tablet ou procurar o iPhone.

Mesmo considerando um universo menor de aplicação em relação, por exemplo, às interfaces “touch screen”, os sistemas controlados por voz são naturalmente considerados supérfluos. Porém é interessante comentar que, um dia, as máquinas de lavar também foram consideradas supérfluas.

Ao longo da história encontramos centenas de exemplos provando que o supérfluo se torna essencial à medida que sua utilização se massifica. Talvez um dos exemplos mais interessantes seja o do primeiro controle remoto para TV, criado em escala comercial pela Zenith em 1950. Provavelmente nem o próprio fabricante acreditava que seu produto se tornaria essencial ao ato de assistir TV, caso contrário não o teria batizado de “Lazy Bones”.

O controle por voz em sistemas de automação residencial é uma tendência inevitável. Aqueles que se familiarizarem primeiro sairão na frente. Enquanto a tecnologia ainda não se difundiu, os afoitos terão diferencial por oferecer a novidade. Quando vier a massificação, estes terão o diferencial da experiência e o portfolio de projetos já realizados.

Portanto, meu conselho para qualquer Integrador é o seguinte: Não espere seu cliente solicitar um sistema de automação controlado por voz, pois quando isso acontecer é provável que você já tenha perdido o bonde. Antecipe-se colocando um sistema de controle de voz em seu showroom, aproveitando seu fabuloso “WOW Factor” para atrair clientes, mostrando-lhes que você trabalha com o que há de mais moderno na indústria de automação residencial. É possível que, ainda dominados pela precaução da novidade, nem tantos queiram comprar o sistema, mas certamente terão curiosidade em conhecer uma novidade como essa. De qualquer maneira, cliente na loja é bom, certo?

Fonte: Aureside, Autor: Marcelo Lavrador

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